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1. 2 2. 3 AS CHAVES DE SALOMÃO, O REI (Clavicula Salomanis) Traduzida e Editada dos Manuscritos Antigos do Museu Britânico por S. Lidell MacGregor Mathers Autor de “A…
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  • 2. 3 AS CHAVES DE SALOMÃO, O REI (Clavicula Salomanis) Traduzida e Editada dos Manuscritos Antigos do Museu Britânico por S. Lidell MacGregor Mathers Autor de “A Cabala Desnudada”, “O Tarô”, etc. COM GRAVURAS LONDRES GEORGE REDWAY YORK STREET COVENT GARDEN 1889
  • 3. 4
  • 4. 5 CONTEÚDO LIVRO I Prefácio (pelo editor) 11 Discurso Preliminar – do manuscrito Lansdowne 1203 15 Introdução – do manuscrito Add. 10862 17 Introdução – do manuscrito Lansdowne 1203 21 Introdução – Nota do Editor 25 Tabela 1: Horas Planetárias 27 Tabela 2: Nomes mágicos das Horas e Anjos 29 Tabela 3: Arcanjos, Anjos, Metais, Dias e Cores de cada planeta 31 1. Que diz respeito ao amor divino que deve preceder a aquisição deste conhecimento 35 2. Dos dias, horas e virtudes dos planetas 37 3. Que diz respeito à arte; construção do círculo 41 4. A confissão 59 5. Orações e conjuros 63 6. A conjuração mais forte e potente 67 7. Uma conjuração extremamente poderosa 75 8. Que diz respeito aos pantáculos 83 9. Experimento que diz respeito a coisas roubadas 101 10. Como os experimentos para as coisas roubadas devem ser executados 105 11. Experimento de invisibilidade 107 12. Para evitar que um caçador mate qualquer animal de caça 111 13. Como fazer as ligas mágicas 113 14. Como fazer o tapete mágico para interrogar as inteligências 115 15. Como se converter em dono de um tesouro possuído por um espírito 117 16. Que diz respeito ao experimento para buscar favores e influências 119 17. As operações de invisibilidade, zombaria e escárnio 121
  • 5. 6 18. Experimentos e operações extraordinários 123 19. Experimento de amor e como ele é ser realizado 125 20. Que diz respeito à operação ou trabalho da maçã 129 21. A operação do amor através dos sonhos 131 22. Experimento relativo ao ódio e a discórdia 133 23. Que diz respeito aos santos pantáculos ou medalhas 137 A ordem dos pantáculos 139 Pantáculos de Saturno 141 Pantáculos de Júpiter 151 Pantáculos de Marte 159 Pantáculos do Sol 167 Pantáculos de Vênus 175 Pantáculos de Mercúrio 181 Pantáculos da Lua 187 LIVRO II Preâmbulo 197 1. A que hora, depois da preparação de todas as coisas necessárias, devemos executar à perfeição o exercício da Arte 199 2. A maneira em que o Mestre da Arte deve conduzir, reger e governar a si mesmo 203 3. Como os companheiros ou discípulos do Mestre da Arte devem reger e governar a si mesmos 205 4. Que diz respeito ao jejum, isolamento e coisas a serem observadas 207 5. Que diz respeito aos banhos e como devem ser preparados 209 6. Das vestimentas e calçados da Arte 247 7. Dos lugares onde se pode executar convenientemente os experimentos e operações da Arte 259 8. Das facas, espadas, athame, estilete, lança pequena, foice, varinha, bastão e outros instrumentos da arte mágica 265 9. Da formação do círculo 275 10. Que diz respeito ao incenso, sufumigações, perfumes, odores e coisas 277
  • 6. 7 similares que são usadas nas artes mágicas 11. Da água e do aspersório 279 12. Da luz e do fogo 287 13. Que diz respeito aos preceitos da Arte 293 14. Das penas, tintas e cores 295 15. Da pena da andorinha e do pombo 297 16. Do sangue de morcego, pombos e outros animais 299 17. Sobre pergaminho virgem ou papel virgem e como devem ser preparados 301 18. Da cera e argila virgens 311 19. Que diz respeito à agulha e outros instrumentos de aço 337 20. Que diz respeito ao tecido de seda 349 21. Que diz respeito às imagens astrológicas 355 22. Que diz respeito aos caracteres e a consagração do livro mágico 357 23. Que diz respeito aos sacrifícios aos espíritos e como eles devem ser feitos 361 Fragmentos, por Eliphas Lévi 363 Invocação cabalística de Salomão, por Eliphas Lévi 367
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  • 8. 9 AS CHAVES DE SALOMÃO, O REI (Clavicula Salomonis) Figura 1
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  • 10. 11 PREFÁCIO Ao apresentar esta célebre obra mágica ao estudante das Ciências Ocultas, é necessária algumas observações relativas ao prefácio. As Clavículas de Salomão, salvo por algumas cópias incompletas e cortadas publicadas na França no século XVII, nunca foi publicada, porém permaneceu durante séculos em manuscritos inacessíveis às pessoas em geral, salvo para uns poucos investigadores afortunados, para quem se abriram os nichos mais recônditos das bibliotecas. Por isso me considero altamente honrado ao ser o indivíduo que conseguiu apresentá-la à luz do dia. Fonte primordial e celeiro da Magia Cabalística, e origem de muitas das magias cerimoniais dos tempos medievais, as Clavículas sempre foi estimada e valorizada pelos escritores ocultistas como uma obra da maior autoridade; e notavelmente em nossos dias Eliphas Lévi a tomou como modelo no qual seu celebrado Dogmas e Rituais da Alta Magia se baseou. Deve ser evidente para o leitor iniciado de Lévi que as Clavículas de Salomão foi seu livro de estudo, e ao final deste Volume II, dou um fragmento de um manuscrito hebreu antigo das Clavículas de Salomão traduzidos e publicados na Filosofia Oculta, bem como uma invocação chamada Invocação Cabalística de Salomão, que tem uma analogia muito próxima com uma que aparece no Primeiro Livro, a qual foi construída da mesma maneira, sobre o esquema das Sephiroth. A história do original hebraico das Clavículas de Salomão é dado nas introduções, porém há muita razão para supor que está inteiramente perdida, e Christian, o discípulo de Lévi, disse o mesmo em sua História da Magia. Não encontro razão para duvidar da tradição que associa a paternidade das Clavículas ao Rei Salomão, já que entre outros, Josephus, o historiador judeu, menciona especialmente as obras mágicas atribuídas a esse monarca; isto está em conformidade com as várias tradições orientais, e sua excelência mágica é frequentemente mencionada nas As Mil e Uma Noites. Existem, entretanto, duas obras sobre Magia Negra, o Grimorium Verum e a Clavicola di Salomone Ridolta, que foram atribuídas a Salomão, e que foram, em alguns casos, especialmente confundidas com a presente obra, porém que realmente não tem
  • 11. 12 nenhuma ligação com ela; estas obras estão cheias de magias diabólicas, e não poderia prevenir aos estudantes práticos o suficiente contra elas. Há também outra obra chamada Lemegeton ou A Chave Menor do Rei Salomão, que está cheia de selos de vários espíritos, e que não é a mesma do presente livro, embora seja extremamente valiosa em sua própria especialidade. Ao editar este volume omiti um ou dois experimentos que caem evidentemente dentro do terreno da magia negra, e que obviamente derivaram das duas obras goéticas mencionadas acima. Devo, além disso, prevenir ao praticante contra o uso do sangue; a oração, o pantáculo e os perfumes usados corretamente são suficientes; porém a primeira se aproxima perigosamente da vereda do mau. Aquele que, apesar das advertências deste volume, decidir trabalhar com o mau, esteja seguro que este se reverterá contra si mesmo e que será golpeado pela corrente reflexiva. Esta edição foi preparada a partir de diversos manuscritos antigos que se encontram no Museu Britânico, os quais diferem entre si em vários pontos; alguns dão o que outros omitem, porém, lamentavelmente, todos concordam em um ponto, que é a execrável adulteração das palavras hebraicas pela ignorância de quem as transcreveu. Mas é nos pantáculos onde o hebreu é pior; as letras estão tão mal gravadas que praticamente ficam indecifráveis em algumas partes, e tem sido parte de meu trabalho durante vários anos corrigi-las e restituí-las ao hebreu correto junto com os caracteres mágicos dos pantáculos. O estudante, portanto, pode confiar seguramente que a presente reprodução está o mais próximo do correto que foi possível fazer. Assim, corrigi, dentro do possível, o hebreu dos nomes mágicos nos conjuros e os pantáculos, e onde não foi possível fazê-lo, os apresentei na forma mais usual, comparando cuidadosamente um manuscrito com outro. Os capítulos estão classificados de maneira um pouco diferente daqueles em vários manuscritos, em alguns casos o material contido neles estava invertido, etc., donde se fez necessário acrescentar notas e observações. Os manuscritos a partir dos quais se editou esta obra são: Add. 10862; Sloane 1307 e 3091; Harleian 3981; King 288 e Lansdowne 1202 e 1203, segundo sua classificação no Museu Britânico; sete códices no total. De todos estes, o manuscrito Add. 10862 é o mais antigo; data de cerca dos fins do século XVI; o Harleian é provavelmente de meados do século XVII; os demais são bastante posteriores. O manuscrito Add. 10862 está escrito em latim abreviado, e é difícil de ler, porém contém capítulos que faltam nos demais, assim como uma importante introdução. Sua linguagem é mais concisa. Seu título está cortado, sendo simplesmente: A Clavícula de Salomão, traduzida da língua hebraica para o latim. Uma cópia exata da assinatura do autor do manuscrito se dá na figura 93.1 Os pantáculos estão muito mal desenhados. 1 No título do manuscrito se lê Salomonis Clavicula, ex idiomate Hebraeo em Latinum traducta. A assinatura que aparece para ser lida é “Ibau Abraham”. Ele foi escrito no século XVII. Está ligada com uma segunda cópia de título italiano Zecorbenei, overo Clavicola dal Re Salomone.
  • 12. 13 Os manuscritos Harleian 3981, King 288 e Sloane 3091, são similares e contém o mesmo material e quase a mesma redação; porém o último tem muitos erros de transcrição. Todos estão em francês. Os conjuros e a redação destes estão mais completos que as dos manuscritos Add. 10862 e Lansdowne 1202. O título é A Clavícula de Salomão, Rei dos Hebreus, traduzida da língua hebraica para a italiana por Abraham Colorno, por ordem de Sua Sereníssima Majestade de Mantua, e recentemente posta em francês. Os pantáculos estão muito melhor desenhados, em tintas coloridas, e no caso do manuscrito Sloane 3091, se empregaram o ouro e a prata. O manuscrito Sloane 1307 está em italiano; seu título é La Clavicola di Salomone. Redotta et epilogata nella nostra materna lingua del dottissimo Gio Peccatrix. Está cheia de magia negra e é uma mistura da própria Clavícula de Salomão com os dois livros de magia negra mencionados previamente. Os pantáculos estão mal desenhados. Eles, entretanto, dão parte da introdução ao Add. 10862, e é o único manuscrito que o faz, salvo o começo de outra versão italiana que está unida com o primeiro manuscrito, e que leva o título de Zecorbenei. O manuscrito Lansdowne 1202 é As Chaves Verdadeiras do Rei Salomão, por Armadel. Está belissimamente escrito, com suas letras iniciais pintadas, e os pantáculos estão cuidadosamente desenhados com tintas coloridas. É mais conciso em seu estilo, porém omite vários capítulos. Ao final tem alguns extratos curtos do Grimorium Verum com os selos de espíritos malignos, que, como não pertencem à Clavícula de Salomão propriamente dita, não as dei. A classificação evidente das Clavículas está em dois livros e não mais. 2 O manuscrito Lansdowne 1203 é A Verdadeira Clavícula de Salomão traduzida do Hebreu para o Latim pelo Rabino Abognazar (Aben Ezra). Está em francês, esquisitamente escrito em letras de forma, e os pantáculos estão cuidadosamente desenhados com tintas coloridas. Também contém material semelhante ao dos outros, o arranjo é completamente diferente; está tudo em um livro e não existe a divisão em capítulos. A antiguidade dos selos planetários está demonstrada pelo fato de que, entre os talismãs gnósticos do Museu Britânico, existe um anel de cobre com os selos de Vênus, que são exatamente os mesmos dados pelos escritores medievais sobre magia. No que se refere aos Salmos, em todos os casos dou a numeração inglesa e não a hebraica. Em alguns lugares substituí a palavra AZOTH por ALFA e OMEGA. Por exemplo, na folha da faca de cabo preto, figura 62. Observo que a espada mágica pode ser usada em muitos casos em lugar da faca. 2 Este material adicional é intitulado Livre Troisieme (Livro 3) e Livre Quatrieme (Livro 4). Mathers provavelmente tinha em mente o grande estudioso sefardita Ibn Ezra (1092-1167), autor do Sefer Hashem. A atribuição deveria ser, evidentemente, pseudepigráfica, uma vez que Abognazar foi fortemente dependente de fontes da época.
  • 13. 14 Para concluir farei somente mencionarei, para benefício dos não hebreus, que o hebraico se escreve da direita para a esquerda, e por sua natureza consonântica requer menos letras do que o inglês para dizer a mesma palavra. Aproveito a oportunidade para expressar meus agradecimentos ao Dr. Wynn Westcott pela valiosa assistência que me deu na reconstrução do hebreu nos pantáculos. S. Lidell MacGregor Mathers Londres, outubro de 1888.
  • 14. 15 DISCURSO PRELIMINAR Do manuscrito Lansdowne 1203, “As Verdadeiras Clavículas de Salomão”, traduzidas do hebreu para a língua latina pelo Rabino Abognazar Todos na atualidade sabemos que desde tempo imemorial, Salomão possuía um conhecimento inspirado pelos sábios ensinamentos de um anjo, que lhe apareceu muito submisso e obediente, que além do presente da sabedoria que ele pediu, obteve profusamente todas as outras virtudes; o qual sucedeu para que o conhecimento digno de preservação eterna não se enterrasse com seu corpo. Estando, por assim dizer, próximo de seu fim, deixou a seu filho Roboam um testamento que continha toda (a sabedoria) que havia possuído antes de sua morte. Os rabinos, que tiveram o cuidado de cultivar (o mesmo conhecimento) depois dele, chamaram a este testamento de Clavículas ou Chaves de Salomão, a qual fizeram gravar em (pedaços de) cortiça de árvores, para que pudesse ser preservada no templo que aquele sábio rei havia mandado construir. Este testamento foi traduzido em tempos antigos do hebreu para a língua latina pelo Rabino Abognazar, que o levou com ele à cidade de Arles, em Provenza, onde por um golpe de boa fortuna a Clavícula hebraica antiga, isto é, esta preciosa tradução dela, caiu em mãos do Arcebispo de Arles, depois da destruição dos judeus nessa cidade, quem do latim a traduziu à língua vulgar, nos mesmos termos que aqui seguem, sem haver mudado ou acrescentado nada à tradução original em hebreu.
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  • 16. 17 INTRODUÇÃO Do manuscrito Add. 10862, “A Clavícula de Salomão”, traduzida ao latim do idioma hebreu ― Entesoure, oh meu filho Roboam, a sabedoria de minhas palavras, vendo que eu, Salomão, a recebi do Senhor. Então respondeu Roboam e disse: ― Como ei merecido seguir o exemplo de meu pai Salomão em tais coisas, quem se encontra digno de receber o conhecimento de todas as coisas viventes pelos ensinamentos de um anjo de Deus? E Salomão disse: ― Escute, oh meu filho, e receba meus ensinamentos, e aprenda as maravilhas de Deus. Pois, certa noite, quando me deitava para dormir, invoquei o mais santo nome de Deus, IAH, e roguei pela sabedoria inefável e quando começava a fechar os olhos, o anjo do Senhor, o mesmo HOMADIEL, apareceu diante de mim, me falou muitas coisas de forma cortês, e disse: “Ouça, Salomão, sua oração diante do Altíssimo não é em vão, e como você não pediu vida longa e nem riquezas, nem as almas de seus inimigos, mas pediu sabedoria a si mesmo para realizar justiça. Assim disse o Senhor: de acordo com sua palavra, lhe dei um coração sábio e compreensivo, de tal maneira que antes de você não houve nenhum igual, nem surgirá um igual no futuro.” E quando compreendi o discurso dirigido a mim, pude entender que em mim estava o conhecimento de todas as criaturas, tanto das coisas que estão nos céus como as coisas que estão sob eles; e vi que todas as escrituras e a sabedoria deste presente tempo eram vãs e fúteis, e que nenhum homem era perfeito. E compus certa obra na qual relato o segredo dos segredos, na qual os tenho preservados ocultos, e também tenho ocultado nela todos os segredos das artes mágicas de muitos mestres; e principalmente para os segredos e experimentos desta ciência que de uma forma ou de outra são dignos de se realizados. Também escrevi esta Clavícula, para que da mesma maneira que uma chave abre o cofre de um tesouro, da mesma maneira esta Chave só possa abrir o conhecimento e entendimento das artes mágicas e das ciências.
  • 17. 18 Portanto, oh meu filho, pude ver cada experimento meu ou dos demais, e que todas as coisas sejam apropriadamente preparadas para eles, como pude ver tudo preparado adequadamente por mim, tanto os dias e horas, como todas as coisas necessárias; pois sem isto somente obteria apenas falsidade e vaidade neste meu trabalho; onde se estão escondidos todos os segredos e mistérios que podem ser realizados; e o que está posto de acordo a uma só adivinhação ou um único experimento, o mesmo penso eu, para todas as coisas que dizem respeito ao Universo, e que tem sido e que serão em tempos futuros. Por tanto, oh meu filho Roboam, lhe ordeno, pela benção que espera de seu pai, que faça um cofre de marfim e nele ponha, guarde e esconda este minha Clavícula; e quando eu tiver falecido e reunir-me com meus pais, suplico-lhe para que o ponha em meu sepulcro, junto de mim, para que em outro tempo não possa cair em mãos dos ímpios. E como ordenou Salomão, assim foi feito. E quando, assim, os homens haviam esperado por um longo tempo, vieram ao sepulcro certos filósofos babilônicos; e quando estavam reunidos, formaram um conselho e decidiram que certo número de homens renovaria o sepulcro em honra de Salomão; e quando o sepulcro foi escavado e foi reparado, foi descoberto o cofre de marfim, e que dentro dele estava a Chave dos Segredos, a qual tomaram com mente regozijada, e quando a abriram nenhum deles puderam entendê-la, pela obscuridade das palavras e sua disposição oculta, e o caráter encoberto de sentido e de conhecimento, já que não eram merecedores de possuir esse tesouro. Então, com o tempo, surgiu um entre os demais homens, mais dignos que os outros, tanto à vista dos deuses como por razão de sua idade, que foi chamado Iohé Grevis, 3 e disse aos demais: ― A menos que venhamos e peçamos a interpretação do Senhor, com lágrimas e súplicas, nunca chegaremos ao conhecimento disto. Então, quando todos já haviam se retirado para dormir, Iohé, inclinando o seu rosto sobre a terra, começou a chorar, e golpeando seu peito, disse: ― O que mereci sobre os demais, vendo que tantos homens não puderam interpretar e nem entender este conhecimento, ainda quando não houvera algo secreto na natureza que o Senhor houvera ocultado de mim? Por que estas palavras são tão obscuras? Por que sou tão ignorante? E em seguida, sobre seus joelhos dobrados, levantando as mãos ao céu, disse: ― Oh Deus, o criador de tudo, tu que sabes todas as coisas, que ofereceste tão grande sabedoria a Salomão, o filho do rei Davi, conceda-me, te suplico, oh Santo Onipotente e Inefável Pai, receber a virtude desta sabedoria, para que com tua ajuda seja merecedor de alcançar o entendimento destas chaves de segredos! E imediatamente apareceu diante de mim 4 o anjo do Senhor, dizendo: 3 Acredito que este nome esteja correto, mas o nome está muito indistintamente escrito no manuscrito, que é difícil de decifrar. Em outra cópia da Clavícula está escrito Iroe Grecis, mas acho que isso é um erro.
  • 18. 19 ― Recorde que se os segredos de Salomão aparecem ocultos e obscuros para ti, é porque o Senhor desejou que fosse assim, para que tal sabedoria não possa cair em mãos dos homens ímpios; portanto, prometas diante de mim que não estás desejando que a grande sabedoria chegue a qualquer criatura vivente e que se as revelar a qualquer outro que eles saibam que deverão guardá-la para si mesmos, pois de outra maneira os segredos seriam profanados e não teriam efeito algum? E Iohé respondeu: ― Prometo, diante de ti, que não as revelarei, exceto para a honra do Senhor, e com muita disciplina, a pessoas penitentes, discretas e de confiança. Então respondeu o anjo: ― Vá e leia a Clavícula, e as suas palavras que estavam completamente obscuras se manifestarão diante de ti. Depois disto o anjo ascendeu aos céus em uma língua de fogo
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